- Não saias de Portugal, filha.

Caminhava pelas escadas que não pareciam ter fim enquanto pensava sobre algo aleatório que me tivesse surgido no momento. Os meus pensamentos são interrompidos quando uma velha senhora que eu nunca vira antes, abriu a porta de sua casa. A minha mãe aproveitou e pediu emprestado uma caixa de fósforos que ela não tinha encontrado no pequeno supermercado que visitámos. A senhora olhava-me com saudade, mas ela nunca me tinha visto antes. Com algumas palavras trocadas, o seu coração abriu-se. Ela olhou pra mim, e disse-me: 

- Não saias de Portugal, filha. 

Tanto eu como a minha mãe, ficámos confusas. Não saio de Portugal? Mas afinal, toda a gente me diz o contrário. Todos me dizem que lá fora, no estrangeiro, estão as melhores oportunidades para eu construír o meu futuro. Olhei para a senhora e franzi a sobrancelha, tentando encontrar a resposta ao porquê que pairava em mim. E parece que ela se apercebeu, porque depois de minutos de silêncio, ela completou: 

- Sabes, a minha filha foi para os Estados Unidos. Prometeu vir a Portugal de pouco em pouco tempo. Mas ela deixou de gostar de Portugal. E então, também não cumpriu a promessa... Ela foi, mas nunca mais voltou. 

As suas palavras fizeram-me cair em mim. Porque me diria ela aquilo? Nem há 5 minutos me conhecia e já me revelava a sua vida... Mas ela tinha razão. Poderia eu tornar-me igual à sua filha? Os seus olhos estavam carregados de lágrimas que ela tentava esconder, o seu sorriso já não era nada mais que forçado e pela primeira vez eu soube o que é tristeza. Porque assim que o assunto foi mencionado, o seu coração transpareceu um vazio e ela não mostrava nada mais que mágoa.

- Mariana Castro.

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